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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Vivaldo Almeida de Jesus

Janela


A fresta da janela anuncia o amanhecer
A luz irradia clareando o quarto.
É mais um dia que tenho para agradecer.
O trabalho me chama, sim, é verdade, mas,
Daquele pouco tempo que tenho na cama
Preciso para me espreguiçar,
Pois não tenho mais tempo a perder.
Nutrir-me preciso.
Portanto, sem trabalho não tem alimento nem lazer.


Vivaldo Almeida de Jesus é poeta e escritor, embora nunca tenha publicado seus trabalhos, por modéstia e por falta de oportunidades. Seus temas preferidos são o amor e reflexões sobre a vida.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Valdecy Almeida de Jesus

SER LIVRE É...

Sonhar
Viver
Sentir e acreditar
Querendo sempre
O melhor da vida

Valdecy Almeida de Jesus é poeta e escritora. Como todo poeta iniciante, não gosta de mostrar seus trabalhos, mas com incentivo de amigos e da família, está despontando agora para o mundo literário. Formada em Magistério, é dona do lar e batalhadora na vida.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Valdeck Almeida de Jesus

Você


Você e o mar
Maré, água, areia
Arraia, ondas, maré
Ondas, você e o mar.

Amo as ondas
O mar, a areia,
A maré alta (cheia)
Maré vazante (amante)
O movimento
Que me impulsiona a você...

Você é o mar
Amo o mar que é você
Inconfundível, inconquistável,
Infinito, profundo...


Salvador, 25 de junho de 2006
Praia de Cantagalo, vendo o mar



Mário Quintana

É a própria essência da poesia
Contida num prematuro nascer
É a forma da palavra
Traduzida em carne, osso e ser.

É a aspereza do frio
Aquecido pelo pensar
É a inquietude da alma
Que teima em inquietar.

É o Brasil despertando
Gritando para espalhar
Sua gana de escrever

Que a vida tem valor
Que o pensar tem calor
Para a todos aquecer.


11 de Março de 2006

Valdeck Almeida de Jesus é funcionário público federal, nasceu a 15 de março de 1966 em Jequié/BA, onde viveu até aos seis anos de idade, quando foi residir na Fazenda Turmalina, região de Itagibá/BA.

Suas habilidades na área literária valeram Menção Honrosa em 1989 no 1° Concurso Nacional de Poesia, promovido pelo Instituto Internacional da Poesia, de Porto Alegre/RS e no Concurso Literário Oswald de Andrade, promovido pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em 1990, na cidade de Jequié/BA. Possui poemas publicados em mais de dez antologias, no Brasil e no exterior.

É membro da União Brasileira de Escritores – UBE. Participante ativo da Diretoria Regional do Partido Comunista do Brasil, em Jequié/BA, em 1987 foi eleito o primeiro diretor de imprensa do Grêmio Estudantil Dinaelza Coqueiro, do Instituto de Educação Régis Pacheco, sendo o fundador do jornal Jornada Estudantil.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Edmar José Mascarenhas da Silva

Juventude

Uma geração vivendo grande emoção
entre drogas e prostituição.
Não usando violência,
tendo muita inocência,
uma linda adolescência,
dando amor sem decadência
em sua sobrevivência.
Flores no amanhecer, louvando
sem padecer
hoje quero te dizer
rosa é o meu viver.
Igreja, religião,
drogas, prostituição,
violência não.
Aproveitando a missão,
amor, morte, vida, razão:
juventude é como flores
naquela estação
desabrocha o coração
para a realidade
da nação!

17.12.2004
Bar Boca de Forno, Calçada – Salvador/BA

Edmar José Mascarenhas da Silva é natural de Várzea da Roça/BA, onde declamava poesias de vários poetas. Escreve desde criança, mas nunca gostou de ler ou divulgar seus trabalhos, como todo poeta nato. Trabalhou em várias profissões, de balconista a cabeleireiro, de garçom a marmiteiro. Atualmente mora em Swindon, região metropolitana de Londres, onde cursa inglês e história.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Dulcilene Ribeiro Soares Nascimento

Amizade e amor

No meu corpo se misturam
Ora amo e amigo
Somos um
Ora amigo e amo
Escapulo
Do contato
Do afago
Do medo
De ser feliz
Que é humano
E só o amigo
Que amo
Me revela
O que o meu eu
Nunca me diz.

Dulcilene Ribeiro Soares Nascimento ou Dulce, como prefere ser chamada, nasceu em Camacã-Ba, no dia 06/05/1970.Aos dois anos de idade muda-se com os pais e a irmã para Gandu, onde tem os pés e o coração fincados e onde reside atualmente, depois de um período de 6 anos em Alagoinhas, onde cursou História pela (FFPA) Faculdade de Formação de Professores de Alagoinhas , atual Campus II (UNEB)Universidade do Estado da Bahia.Especialista em Metodologia do Ensino Pesquisa com extensão em Educação, faz Mestrado em Ciência Política, Cidadania e Governação,é também funcionária pública estadual, professora universitária e não esconde de ninguém o prazer de trabalhar com a educação.
Com alma de quem nasceu poeta, Dulce revela em seus poemas desde uma certa puberdade até a madureza da mulher que chega aos 35 anos com certezas, convicções, mas acima de tudo muita esperança.
O amor pela família , pelos amigos e especificamente pelo avô, o caboclo Damião são explícitos em cada verso do seu trabalho, o qual tece desde os 13 anos...ainda menina.

Com o lançamento de DUPLA FACE (2003) e ESQUEÇAM AS BONECAS! A MENINA MORREU...(2004),a participação na Antologia Presente de Natal em Prosa e Verso lançado pela REBRA,(2004), Dulce despe para o mundo a sua paixão pela poesia,fazendo dela sua meta, seu sonho e... no seu próprio modo de conceber o mundo...efemeridade, paciência, esperança e fé.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho

Para Nicy, Keller, Delícia.

Sinto saudade do ritmo sensual
e aconchegante de tua dança,
do teu olhar carinhoso e de teu alto astral.
Da brisa que toca o teu cabelo e balança.
Do teu doce e afetuoso abraço,
De cada beijo, de cada mordida,
De cada desejo e de cada amasso...

Os melhores momentos da vida
são aqueles que deixam saudades,
que procuram recriar realidades
na reconstituição da memória,
no recorte marcante da história,
na busca do passado no agora.

A saudade tem às vezes um ritmo rápido,
que faz estremecer e acelerar o coração.
Outras vezes tem um ritmo lento como
a brisa do final da tarde, os raios do sol
ao amanhecer ou o pensamento expresso
na face de uma pessoa à espera do seu amor....



Deusa Encantada

A noite é minha poesia calada.
A juventude é minha luta cantada.
A vida, a vida é minha piada.
A natureza é minha namorada
E natureza há uma coisa admirada:
A menina.
Menina de sorriso apaixonado.
Menina de olhar parado.
Menina-deusa entre as deusas adoradas.
Deusa-encantada.


JEQUITE-FOI

Jequi-foi chão pisado pelos carros de bois que passavam com seu chiado bonito pelo Curral dos Bois.
Jequi-foi pousada de tropeiros, flagelados e boiadeiros que do Porto-Terra saiam pelo sertão inteiro.
Jequi-foi abrigo dos caboclos cotoxós e mongoiós que só eu ouvirem falar no desbravador João Gonçalves da Costa saiam do Sertão da Ressaca para dentro da mata.
Jequi-foi terra de homens humildes: do vassoureiro que vendia suas vassouras para os mateiros, da apanhadeira de água e do raizeiro com seu remédio caseiro. Gente que soube enfrentar a seca e a enchente como quem aprende a cantar.

Jequié Cidade Sol que vive sempre a brilhar parece que seus raios querem dizer que teu povo precisa se libertar.
Jequié menino de pés no chão.
Jequié Rio das Contas cheio de poluição.
Jequié terra esquecida.
Jequié povo sem vida.
Jequié gente que sabe o que quer: terra, educação, comida e café.

Jequi-será quando o povo se organizar.
Jequi-será quando teus poetas e teus artistas se organizarem e começarem a falar do teu povo folclórico, do teu histórico e lutar pela cultura popular.
Jequi-será quando o estudante se organizar e lutar para o ensino melhorar.
Jequi-será quando a mulher se organizar e começar a lavar a sujeira e a exploração que hão de se acabar.
Jequi-será quando o pescador se organizar e em seu jequi peixe bom pegar.
Jequi-será quando o sertanejo se organizar e começar a contar a história do povo jequieense: que tudo vence.
Nesse dia um novo sol vai brilhar e o povo de Jequié vai sair pelas ruas a cantar.
E a liberdade vai chegar.
E o povo de Jequié vai ensinar que é preciso sempre lutar!


Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho é membro-fundador e 2º vice-presidente da Academia de Letras de Jequié. É o mais jovem acadêmico entre os atuais nomes que compõem a ALJ e um dos mais jovens do Brasil e do mundo a ingressar em uma Academia de Letras.
Autor do romance O Fogo do Povo e do conto Pura, Domingos Ailton tem vários poemas publicados em diversas coletâneas, a exemplo de Jequié: Poesia e Prosa. Estão publicados em anais de congressos científicos em livros de conteúdo acadêmico vários resumos de seus trabalhos de pesquisa, a exemplo de “A Recuperação de Palavras da Língua Pataxó-hã-hã-hãe 500 Após a Chegada dos Portugueses nas Terras Indígenas”, no livro Percursos da Memória – Construções do Imaginário Nacional (lançado no Brasil e na Polônia), “Tradições dos Ternos de Reis”, no livro “Fragmentos de Memória de Vitória da Conquista e Região e “José de Sá Bittencourt”, em Vultos Históricos (Revista da Academia de Letras de Jequié). São Também de sua autoria os documentários em vídeo “Rio das Contas: potencialidade e poluição, “Lapa: a Fé do Sertão” e o “Trezenário de Santo Antônio”, a peça teatral Agenda 21. Que Bicho é Este? e em 2004 obteve o 1º lugar na categoria sênior do concurso de redação Qual a Jequié que Queremos?. Jornalista e editor do jornal O ECOLÓGICO. Licenciado em Letras, especialista em Literatura e Ensino da Literatura pela UESB e mestre em Memória Social e Documento pela da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). Professor da UNEB – Campus XXI.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Deise Formentin

MAS...!!!

Não sou perfeita... Mas, ninguém assim o é!
Tenho medo... Mas, e quem não tem?
Tenho sonhos...
Todos tem... ou será que não?
Sofro... Mas, e quem não sofre?
Tento não ser amarga,
Mas, acabo sendo!
Nunca quis ter inimigos,
Mas, haverá sempre alguém...
Que não goste de mim.
Procuro não errar...
Mas, na ânsia da perfeição,
Cometo duas vezes mais erros.
Viver é tão difícil...
Mas, e quem falou que seria fácil?



TE PERDI

Te encontrei na praia...
Te olhei , você me olhou
Sorri, você também.
Logo percebi: "Me Apaixonei"
Corri para te abraçar, e você me envolveu em seus braços.
Senti então pela primeira vez o gosto de seus beijos.
De repente você partiu
Sem nenhum motivo... Sumiu!
Todo o amor que por ti sentia se transformou em ódio
Por teres me abandonado
Chorei, sofri
Quisestes voltar eu não quis.
E agora somos dois a sofrer, nos braços da negra solidão
Me arrependi então, mas já era tarde demais
Quase enlouqueci...
Quando descobri que realmente te perdi.

Deise Formentin, trabalha na Secretaria de Educação do município de Santa Apolônia/SC há 06 anos, concluiu o Curso de Pedagogia, adora ler e principalmente escrever, já participou de outros concursos de poesia e conto, publicou duas poesias em uma antologia em regime de cooperativa. Continua tentando participar de concursos, pois, seu maior sonho é ver publicado um livro seu de poesias.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Deborah Dourado Pires

Assim Sou Eu...

Sou estrela solitária entre tantos cometas.
Sou o brilho de um deles...
Que não se ofusca, nem se apaga.

Sou raio de sol esquecido, outrora fogo...
Hoje, um brilho esmaecido.
Sou efêmera, sou sensível.
Sou fraca, sou falível.
Sou eterna em sonhos e dores.
Sou uma palavra daquela canção esquecida.
Sou a lágrima da melancolia escondida...
Sou talvez, também simples ilusão perdida.

Assim sou eu...

Sou contradição, sou promessa, pois ontem vivi de paixões.
Sou aquela que anseia ser amada de madrugada,
Acordar aninhada.
Sou segredo, sou desejo.
Sou inquieta, sou discreta.
Sou a rima que ainda não se achou.

Assim sou eu...

Sou a onda que se quebra, mas volta com insistência,
Num recomeçar incessante.
Sou a espuma branca na areia que se desmancha.
Num eterno beijo ofegante...
Sou um coração por inteiro.

Assim sou eu...
Simplesmente mulher!

Deborah Dourado Pires é natural de Goiânia- GO, passou a infância no interior e aos 7 anos foi para Salvador. Estudou no Colégio Batista Brasileiro, onde fez grandes amizades que perduram até hoje. Sempre apaixonada por animais, Déborah ficou na dúvida em que carreira seguir. Foi ai que a jovem, já escrevendo poesias no seu tempo ocioso, descobriu uma nova e fascinante paixão: a comunicação. Ingressou nos cursos de Jornalismo e Produção Editorial, hoje sua grande paixão. Atua na área de criação, design e principalmente diagramação.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Cristiane Pereira Guimarães

Contando as Estrelas

No frio da noite
Com ventos e chuvas
Eu vivo
Pelas ruas
Coberto com jornais
Chorando minha vida...
Com o céu estrelado
Olhando a lua
Conto as estrelas
Para esquecer
Minha triste vida.

Cristiane Pereira Guimarães (Giulyete Greene), é professora primária de Português, Inglês, Espanhol, Educação Artística e Religião na cidade de Glória do Goitá/PE. Vencedora de dois concursos literários: Leia Comigo, Relato Real (FNLIJ), ficando em primeiro lugar com o texto “A verdadeira arte de ser feliz” e concurso de poesias das Edições AG com os trabalhos Viagem à Eternidade e Profundezas. Tem um livro infanto-juvenil publicado pela Editora Edicon de São Paulo: O Sapinho Sassá.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto BRUNO CANDÉAS

a gente se traga
se malcria entre
os lençóis ao
meio-dia
na cama
doutro
que
nem
que
ria

BRUNO CANDÉAS é autor dos livros Poeta nu na alcova (2002), Filé 1,99 ( 2003), A Trégua dos ditadores (2004), Férias do gueto (2005), O osso do poema (inédito) e participou de diversas antologias no Brasil e no exterior.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Bruno Albuquerque Carneiro de Oliveira

Desfiguração do não ser

A solidão faz prece
Rezo eu
Reza você
Rezam todos...

Sofre você
Choro eu
Por mim,
Por você
Por todos...
Todos tolos!

Sombras vagam por entre vales luminosos
Ofuscando lumes ociosos.
Luzes fugidias pairam
Acima das expectativas
Do mais nobre dos esperançosos,
Fora de alcance...

Cores desintegram-se, degeneram-se
Arco-íris, preto, branco, cinza
Cinzas...
Descoloração do não ser,
Nuance...


Na medula da selva de pedra
A flora só cresce
Quem padece
É a fauna
Que sofre
Quando o amor fenece
No coração da alma

No deserto individual de cada
Habitam sonhos desidratados
Ermos povoados, repletos
De uma falsa paz alcançada sem tratados
Acordos ou pactos
Cidades fantasmas
Retiros superlotados
Jardins de cactos
Intactos espinhos
Famílias, amigos, vizinhos...
Aos cacos

A solidão faz prece
Rezo eu
Reza você
Rezam todos...

Sofre você
Choro eu
Por mim,
Por você
Por todos...
Todos tolos!


Silêncio

Silêncio!
Não quero ouvir nada!
Nem o tempo!Nem o vento!
Nem o pranto do arrependimento!
Nem o canto de minha amada!
Não quero ouvir nada!

Latidos, miados, grunhidos,
As crianças brincando na calçada,
Nem as mulheres dando risada!
Poupem meus ouvidos!
Quero a humanidade calada,
Não quero ouvir nada!

Almejo apenas um pouco de paz,
Só o silêncio gritando cada vez mais!
E o mundo mudo, calado,
Contemplando extasiado
A harmonia de suas notas musicais...


Divã

A poesia é meu divã.
É onde descarrego meu fardo passado
E busco a fonte do alívio de amanhã:
Rimas que me enchem de graça
Fazendo com que eu me refaça
E renasça a cada manhã.

É ela que capina e aterra
O sussurro lírico que berra
No meu Vietnã.

É ela que mata e enterra
Qualquer demonstração externa
Da minha guerra interna
Nessa cruzada por uma filosofia sã.

Na conquista da alegria
Minha arma é a poesia,
Meu divã,
Na luta pelo alívio de amanhã.

Bruno Albuquerque Carneiro de Oliveira (o poeta Dí Albuquerque) nasceu num dia dez de maio do ano de 1980, em Itabuna na Bahia. Com um ano e oito meses de idade, após o divórcio de seus pais, o poeta foi com sua mãe seu irmão viver no Rio de Janeiro, onde teve seus primeiros contatos com o mundo das artes através da Oficina para Atores de Ernesto Pícolo e Rogério Blat. Foi também onde começou a fazer poesias baseadas na desordem contemporânea. Aos vinte e quatro anos de idade, Dí Albuquerque retorna à sua terra natal e ingressa no grupo de declamação "A Sociedade dos Poetas Anônimos" e posteriormente na faculdade de jornalismo. O poeta lançou recentemente seu primeiro livro independente: TRABUZANA, uma abordagem poética atual, mordaz, crítica, mas sem perder a ternura da lírica ao agregar musicalidade ao caos de seus versos.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Beatriz Praxedes

A saudade fala muito mais que a própria fala, principalmente quando o tempo diz não nos deixando sem chão.

A saudade dói, machuca,faz sofrer,chorar,sorrir. Mas existem coisas que nem mesmo o tempo vai apagar.

Sempre existirá uma palavra ou até mesmo uma frase que nunca foi dita, sabe qual? Aquela que o coração se cala, só sente de maneira inexplicável sem entendermos como e nem porque dos acontecimentos.

Muitas vezes, o silêncio é a razão verdadeira do que a fala não dita, e o gesto é a melhor demonstração da fala. Existem coisas que jamais falamos,escrevemos porque, só nosso eu é nosso confidente, nosso refúgio, nosso cofrinho de segredos por toda uma vida.

Beatriz Praxedes (Bia), baiana e soteropolitana com muito orgulho, meio Câncer meio Escorpião, formada em Turismo pela Faculdade São Salvador, trabalha na área de química e pretende concluir uma faculdade de Psicologia, seu forte depois da escrita.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Aroldo Ferreira Leão

A Alma é a encarnação de seus próprios segredos

A alma é a encarnação de seus próprios segredos,
Velha esperança trafegando, confusa,
Ante a inércia do olhar desamparado e
Distante, canção expandindo a verdade

Que há em todos os seres, ninguém sabe pra onde.
Amanhã, ou depois de amanhã, tudo
Será como antes, arredia ficção
De instintos esbravejando em nossas mentes

Decadentes. Meu Deus, quanta solidão
Há em mim, coerente incoerência unindo
Os pólos de minhas percepções vazias.

Alguém me diga por que os homens se destroen
Com tanta intensidade e, depois, reflita
Se precisamos viver assim, morrer sem luz.

Aroldo Ferreira Leão, nascido em Parnamirim/RN a 12.10.1967 é poeta com 52 livros publicados, 47 de poesia, 2 de teatro, 3 de literatura infantil. Formado em Engenharia Elétrica pela UFRN e possui pós-graduação em Letras pela UFRJ. Atualmente reside no Sertão, mais precisamente na região de Juazeiro/Petrolina.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Aparecida Lisboa Penido

ACASO
Entre quatro paredes tenho um segredo
Que desaba por medo, bem na hora de dormir.
Ajeito o lençol, aperto o meu travesseiro,
Que exala o seu cheiro de quando esteve aqui.
No que devo acreditar?
Na poeira do seu rastro,
Na trilha dos seus passos
Ou no acaso do amanhã!
Vou lá fora ver o tempo passar,
Não tenho nada a fazer a não ser ter saudade!
Sinto a hora e o tempo perdido
E sem nada a fazer a não ser esperar...
Vou lá fora ver o tempo passar
Não tenho nada a fazer a não ser...
Sinto a hora e o tempo perdido
E o que vou fazer?
Acaso é, um caso mal resolvido.
É assim... Não sou sua metade
Mas quando tenho saudade
Sinto você, em toda parte de mim...




ENXURRADA
Corre mamãe, a chuva já começou,
Pega o balde, aqui tem goteira!
Corre mamãe, o piso inundou,
A água já sobe no pé da geladeira!
Corre meu filho, vem nos meus braços.
Está levando tudo, a enxurrada!
Corre meu filho, o que é que eu faço?
Perdemos tudo, não temos mais nada!
Olha mamãe, os meus brinquedinhos,
Os meus caderninhos, a merendeira!
Olha mamãe, os meus chinelinhos,
Minha chupeta, minha mamadeira!...
Olha meu filho, a chuva está forte.
Levou geladeira, sofá e fogão.
Olha meu filho, a nossa sorte.
Não nos sobrou nem o colchão!
Vamos mamãe, não chora não,
Papai do céu vai te ajudar!
Vamos mamãe, agente dorme no chão,
Só até arranjar outro lugar!...




DELÍRIOS
Uma essência encobre meu corpo
Meus olhos se fecham,meu coração acelera.
Curvo-me diante do espelho
Ouço passos,meu corpo te espera.
Seus olhos me fitam
Envolve-me em seus braços, respiro seu cheiro.
Sinto sua pele,sinto você
No meu corpo inteiro.
Sua boca no meu ouvido
Sua respiração no meu pescoço, faço-me levada.
Deixo-me toda mulher,
só pra você Estou realizada.
Abro os olhos Olho pro espelho,
você não está lá.
Era só a saudade,a tanta vontade
Que me fez delirar!




PONTO POÉTICO
Se dois, sou reta; se nós, bordado.
Sou linha, sou tinta, na pele sou pinta;
Memória de um texto contracenado...
No céu a estrela que a forma nos finta.
Posso ser fixo, forte e determinado.
Marco presença, relógio... cartão.
Sou grau pelo qual meço algum valor,
Por acréscimo ou diminuição.
Na rosa-dos-ventos, sou cardeal.
Mudo de lugar, mudo o sentido.
Numa frase, sou essencial!
Afirmo, interrogo, exclamo e duvido.
Tenho o poder de fazer entender. Sim?!...
Sem minha presença... ... é difícil escrever!
Sou limite, sou triplo, sou patético!
De vista, de acumulação, de conto.
Sou até poético!... E sou pontual.
Quem sou?!
Sou o ponto
E ponto final

Aparecida Lisboa Penido ou simplesmente Cida Lisboa, como gosto de ser chamada. É mineira e mora na Bahia há dez anos. Escreve poesias desde adolescente, quando ganhou um concurso da revista Contigo; de lá pra cá nunca mais parou de escrever. Hoje, além de poesias compõe músicas e já ganhou um troféu como melhor MPB do sul da Bahia. Tem paixão por poesias e músicas e dificilmente passa um dia sem escrever.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Antônio Cícero da Silva

VOCÊ É LEGAL

Você é excelente
E nunca displicente
É muito comovente
Minha estrela cadente.

Você é muito linda
Para mim é bem vinda
Gosto-te mais ainda
Muito mais ainda.

Você é minha amada
Perfeita e educada
Minha aclamada
E idolatrada.

Você é muito legal
A mulher ideal
Na minha vida a principal.

Você é valorosa
E realmente formosa
É também respeitosa.

Antônio Cícero da Silva nasceu na cidade de São José do Belmonte/PE, em 02/12/1962 e reside em Carapicuiba/SP. Diretor de empresas. Publicou textos em jornais e revistas de São Paulo e Rio de Janeiro. Livros publicados: Um romance policial "Servir e Proteger com Lealdade" (Ed. Komedi) e um de poesias "Nós Somos Poesia"(Câmara Brasileira de Jovens Escritores) e mais...

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Anna Maria Avelino Ayres

CANÇÃO PARA UM AMIGO

Não feneça assim
não morra enfim.

Olha a luz bem ali
além do vale, aí.

Há um lago no vale azul
não distante mais ao sul.

O choro da casuarina
tange-a o vento em surdina.

Seixos brincam na fina areia
quando a água trêmula ondeia.

Vem, vem comigo
molha os pés no lago amigo.

Um simples raio rompe o ramo
acorda do sono o gaturamo.

E tudo silencia
para ouvir da ave a melodia.

E tu dirás que o raio te renova
e que tua alma agora está nova.

Eu te direi, querido amigo:
volta sempre, estarei contigo.



UM PERFEITO MODELO

No café da praça, na mesma mesa
O solitário moço – uma pintura –
Suave o rosto, a face uma brancura
Causa-me esta imagem certa surpresa.

Com volúpia traga sua brasa acesa.
É personagem de antiga brochura
Das folhas saída a bela figura?
Até lhe noto fidalga nobreza.

A marcha detenho, a fim de vê-lo
Melhor em seu poético cismar
Por que, oh Senhor, tamanho desvelo?

E quem não conheço fui assim notar?
Bem sei: será o perfeito modelo
Que com tinta e paleta hei de pintar!

Anna Maria Avelino Ayres é mineira, nascida na cidade de Campanha/MG. Licenciada em Letras pela Faculdade de Educação – UFMG. Exerceu o magistério por um período de 33 anos. Escreve poemas desde o final da adolescência. Somente passou a publicá-los recentemente.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Ana Maria Faustino

UM SER ESPECIAL

Sou um ser especial
E por ser como sou
Muitas verdades se confundem dentro de mim
Muitos me acham estranha,diferente
E me olham como se não me vissem
Outros me aceitam
Mas nem por um segundo
Acreditam que eu possa realmente ser capaz
Mas...Para minha alegria
Há aqueles que apostam na minha capacidade
E entre sorrisos me falam:
"Vá em frente","Eu confio em você","Conte sempre comigo"
Essas coisas que enchem o nosso coração de paz!
E assim eu vou caminhando...
Na certeza de que EU EXISTO e por existir
Também tenho um valor
Não importa se sou DIFERENTE...
Se eu sou...
UM SER ESPECIAL!
Afinal,a única anormalidade é a incapacidade de Amar!





O SONHO

O Sonho existe porque alguém acreditou
E com muita vontade o buscou
Sem se importar muito com o tempo
Apenas trazendo no coração um alento
De quem quer de verdade viver
E com isso aprender
Que o sonho faz parte da vida
Mesmo que às vezes alguém de ti duvida
Você vai procurando se fortalecer
Para as batalhas vencer
Porque lutar é preciso
Mesmo que nem sempre se encontre um abrigo
Para dividir o medo e a insegurança
O importante é caminhar com esperança
Sabendo que nem sempre é fácil acreditar
Mas ainda assim vale a pena sonhar
Pois tudo é possível quando se crê
Não importa o que depois venha a acontecer
O mais importante de tudo é saber ser feliz
E não sou só eu que te diz
A vida sem lutas e sonhos não é nada
Por isso nunca se deixe perder na estrada
Nunca troque a sua fé pela incerteza
Pois é só nela que está toda a beleza
E nunca desista do seu sonho buscar
Porque com certeza você vai encontrar!


EU SÓ QUERIA

Eu só queria poder ir além da minha imaginação...
Eu só queria saber expressar tudo o que sinto aqui dentro do meu coração
Eu só queria não chorar
Eu só queria ainda acreditar
Eu só queria não sofrer
Eu só queria apenas entender
Eu só queria não sentir medo da noite
Eu só queria olhar o céu e sonhar
Eu só queria dizer que vale a pena Amar
Eu só queria que as pessoas me olhassem com compreensão
Eu só queria não sofrer nenhuma repreensão
Eu só queria não ser abandonada
Eu só queria ser mais amada
Eu só queria que você chegasse
Eu só queria que a saudade me alegrasse
Eu só queria um abraço apertadinho
Eu só queria ganhar um gostoso carinho
Ah!Como eu queria...
Eu queria que já fosse dia
Eu não sei explicar...
Só sei que eu queria!!!


AMOR DE VERDADE

Amor de verdade é aquele que chega sem explicação
Amor de verdade é o que faz bater mais forte o nosso coração
Amor de verdade não tem hora para chegar
Amor de verdade acontece em qualquer dia, em qualquer lugar
Amor de verdade sempre emociona quem o sente
Amor de verdade deixa a gente sempre contente
Amor de verdade é o que há de melhor nesta vida
Amor de verdade nos faz querer por perto a pessoa querida
Amor de verdade é algo divino
Amor de verdade é tudo de bom que eu imagino
Amor de verdade nos faz ficar leve e voar
Amor de verdade é simplesmente Amar
Amor de verdade traz paz, traz alegria
Amor de verdade transforma o nosso dia
Amor de verdade quer sempre o melhor toda hora
Amor de verdade nunca vai embora
Amor de verdade é poder olhar o céu brilhante
Amor de verdade é ter o coração gigante
Amor de verdade deixa a gente contente
Amor de verdade torna a nossa vida transparente
Amor de verdade faz a gente acreditar
E Amar, Amar, Amar...
Tão somente Amar!
Amar a qualquer pessoa
Apenas por ser um AMOR DE VERADADE!


AMAR

AMAR é olhar para si mesmo e dizer: EU QUERO...
É viver intensamente
É sonhar com uma gota desse sonho
É estar presente até na ausência
AMAR é ter em quem pensar
É razão que ninguém teria para nos tirar
É pensar em você tão alto a ponto de você escutar
AMAR é ir até a morte...
É acordar para a realidade do sonho
É vencer através do silêncio
É ser feliz até com um pouco quando muito não é o bastante...
AMAR é dar anistia ao seu coração
É sonhar o sonho de quem sonha com você
É sentir saudades
É chegar perto na distância
Amar é ser adulto e se sentir criança
É viver a vida em versos e ao inverso
AMAR é a maior experiência na vida de uma pessoa
Faz com que ela se sinta única, especial
AMAR é curtir uma Amizade legal
É poder acreditar que um Amigo é o maior tesouro que se tem
E que por isso nos sentimos privilegiados, felizes
Mesmo que tenhamos entre nós, alguns indesejáveis kilômetros
A certeza de que temos um Amigo pra contar nas horas mais incertas, é divino
E sempre sabemos para onde estamos indo...Ao encontro do coração amigo
Que nos estende a mão e nos dá abrigo
AMAR é saber que Deus está no comando de tudo...
Mas acima de tudo, AMAR é crer no AMOR!

Ana Maria Faustino ou Aninha como é mais conhecida por todos tem um sorriso discreto, às vezes tímido e um brilho no olhar de quem desafia os próprios limites. Atualmente mora na cidade de Macaíba, Rio Grande do Norte, é assistida pela equipe CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e escreve sobre INCLUSÃO SOCIAL para a coluna de UTILIDADE PÚBLICA da Revista Núcleo Online. Gosta de conhecer o novo e descobrir a beleza da vida com a pureza de uma criança que só quer ser feliz. Aninha é apaixonada por animais (em especial os gatos). Adora escrever, deixando transparecer nas palavras toda a sua simplicidade e emoção e não se deixa abater por enfrentar preconceitos diversos e se sentir discriminada apenas por ser especial e portadora da esquizofrenia, pois acredita que também tem um valor como qualquer ser humano e quer a todo custo se sobressair diante de todas as adversidades do dia a dia.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Texto Aline Vitória Melo de Sousa

A criação IV

O que foi criado
já foi e pronto!
Não serve mais
para o poeta.
Foi algo imprescindivelmente
necessário
mas só por alguns instante.
depois de “parido”
está morto e
imortalizado.





Breve consumo

Eu, tão facilmente cheia de tédio,
nem sei como, me dei a ti.
E conforme tu sentiste tudo,
senti tudo e sinto tudo.
E de uma forma bonita e singela,
essa forma que não nos coube,
dessa forma bela, de mãos dadas,
não nos demos.
Dessa mesma forma nos afastamos
dessa forma ficamos, findamos.
Tão efêmero e célere, mas intenso.
Foste tudo
em pouco tempo.
Foste o primeiro e o último
pensamento do dia.
Foste herói, foste bandido, foste gentil
e foste cruel.
Foste doce e foste duro, foste amável
e foste indiferente
foste tu.
Trouxe-me a vida e a morte,
o gozo e a dor.
Todos os gozos e todas as dores
que eu quis sentir.
Penetraste em mim por todas as vias,
no corpo e na alma.
Despertaste em mim desejos latentes...
Fui consumida num breve momento
por um sentimento singular
que me entontecia
que me embriagava
e que às vezes ainda insiste...
me deixo consumir.
E essa madrugada que virou rameira minha
vem toda noite e se instala em minha cama
leva meu sono e traz tua imagem
e, com ela, a insônia...





Identidade

Vira-te, move-te
volta-se e revolta-se
revolve-se.
Muda-te, transforma-te
continuas assim.
E assim serás,
um dia, a sombra,
apenas a lembrança
do que um dia fostes.



Sonho de poeta

Ter um intelecto superior
viver em outro plano
não fazer parte
da classe dos reles mortais
não ser semi-deus
ser o próprio!


A criação III

O poeta se expõe.
Se despe despudoradamente
como se despe uma prostituta.
Arreganha a alma e a mostra
como uma rosa que desabrocha.
Nu e sem pejo fica,
com isso não se importa.
A criação é maior que tudo.
Maior que os olhares alheios,
maior que as idéias alheias,
maior até,
que ele mesmo.


A dança dos amantes

É uma luta, uma dança
uma briga de criança.
Um jogo, um enlevo
um riso e um chôro.
Um mergulho gostoso
em gostosa água.
Uma virada brusca
com reflexo perfeito.
Uma corrida sem prêmio.
Uma ginástica vã.
Que finda num cansaço
de corpos quase mortos
enlanguescidos de gozo
e com saliva fresca
à borda dos lábios.



Conhece-te ao outro

Na singular e peculiar
linguagem dos amantes,
como saber algo
se o que se ouve
são sons involuntários,
palavras cortadas,
gemidos e sussurros?


O desentender

A minha lingüística sente o gosto amargo
dos teus vocábulos.
Roço devagar a ponta da língua
na tua fala oblíqua.
Desesperadamente busco a compreensão
dos sons que proferes.
Perco a noção da dicotomia saussureana
significante/significado.
É demasiado cruel compreender.
Escarlatemente converto-me em ignorante
e passo a desconhecer o meu vernáculo.





A Sá-Carneiro

Ah! Como eu queria agora
meter-me sob cobertores
e lá ficar como um doente
um pobre acamado e triste.
Queria debulhar-me em lágrimas
e desaguar a valer.
Lavar a alma
com as gélidas lágrimas
dos espelhos dela.
Rios de angústia...
Mas esses espelhos
não vertem mais.
São rios secos.
O dono deles
não as consegue expulsar
e por para fora a dor.
Tamanha dor
inexplicável dor
inexorável dor.
Dor de alma
dor de doença invisível,
incurável.
Dor que acomete o coração,
apertado, espremido,
e o juízo.
Ah! Sá-Carneiro!
Quando falas de dor
compreendo-te bem.

ALINE VITÓRIA MELO DE SOUSA (Aline Vitória) é natural de Salvador, Bahia, e reside em Santo Amaro-BA. Ela escreve desde criança, tendo, ainda na infância, enviado uma história para o concurso “Cadê a história?” promovido pela rede de supermercados “Paes Mendonça”. Assim, já se percebia certo interesse em contar e divulgar as histórias que criava. Desde então a sua escrita só tem evoluído e o gosto pela leitura foi se aprimorando. Formada em Letras Vernáculas pela UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana, atua na área da educação, lecionando Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no município onde reside e inicia um projeto de leitura de contos nas escolas públicas da região. Trata-se de um projeto de trabalho voluntário que visa aproximar a literatura dos jovens estudantes do município.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2006 - Prefácio

PREFÁCIO

Esta Antologia Poética retrata toda a beleza do encontro entre poetas anônimos, que o próprio Escritor Baiano Valdeck Almeida de Jesus, impulsionado pela sua sensibilidade, se dispôs a descobrir novos talentos sem cobrar taxa alguma aos seus conterrâneos e para os demais de outros estados e até mesmo países, apenas uma pequena contribuição. Ele retrata ainda um trabalho que além de pioneiro, visa principalmente a grande importância sócio-econômica e educativa de incentivo para os seus participantes de todo o mundo, já que estimula pessoas não conhecidas a saírem do anonimato e se tornarem conhecidas e reconhecidas por aquilo que são e escrevem. A grande meta desse projeto, não está apenas em tornar público os novos poetas, mas visa em especial a sensatez de um escritor que traz na alma a esperança de ver um Brasil cada vez melhor, pois ele, Valdeck Almeida de Jesus, acredita no potencial de todos aqueles que se tornaram parte fundamental deste livro, e, portanto, se tornaram também habilitados a seguirem sempre em frente agarrando-se a essa chance que se não foi a única, certamente foi aquela que lhe chegou no momento. Este livro traz com ele a união de um povo que acreditou no seu sonho e que por isso, não se cansou de buscá-lo deparando-se com a grande oportunidade de ver simples palavras se tornarem de repente, peça necessária para a composição de um novo livro que mostra na sua verdade, um novo tempo que se vê. Sabemos que há inúmeras dificuldades quando se tem uma meta a seguir, mas, para Valdeck Almeida de Jesus não há nada que possa detê-lo porque ele segue o seu coração e se deixa levar pela mão de Deus, procurando dar o seu melhor, assim como todos os que completam este livro. É por isso que ele existe! Confira no blog: www.literaturaecritica.blogspot.com

Ana Maria Faustino (Aninha), é assistida pela equipe-CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), Macaíba/RN e escreve sobre Inclusão Social para a coluna de Utilidade Pública da Revista Núcleo Online.

Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2005 - Textos Vanise Vergasta

Erótico (a)

Deixa eu despir você com os meus olhos?!
Deixa eu gozar na sua boca?!
Deixa eu gozar nas suas mãos, umbigo e coxas?!
Deixa eu penetrar no seu orgasmo e multiplicadamente sentir o meu?!
Deixa eu falar baixinho ao pé do seu ouvido coisas imorais e excitantes?!
Deixa eu escorregar a minha língua no lóbulo da sua orelha esquerda?!
Deixa eu gritar, gemer, sussurrar e gritar de novo, no êxtase dos nossos orgasmos?!
Deixa eu beijar o seu umbigo, sexo e traseiro por inteiro?!
Deixa eu chorar de alegria e sorrir de saudades?!
Deixa eu ser sua, nesse momento dadivoso onde o mundo só a nós dois pertence?!
Deixa eu permanecer assim calada; quietinha, calada, quase muda e toda lambuzada?!
Deixa eu gozar de novo em silêncio e gozar de novo sem escândalos?!
Deixa eu ouvir o cantar dos pássaros ou algum zumbido; estarrecida de amor?!
Deixa eu falar para o mundo que eu te amo a todo vapor?!
Deixa amor, deixa?! Por favor... Deixa?!
Deixa eu dormir mais um pouquinho...
É tão bom sonhar fazendo amor com você e ao acordar, vivenciar tudo outra vez!!!
Deixa, vai... Deixa?!


Meu Luxuoso Casebre

Moro em várias casas,
Em vários barracos,
Em várias ruas,
Em várias avenidas,
Em várias alamedas,
Em vários condomínios, Em várias esquinas,
Em vários prédios,
Em várias mansões,
Em vários becos,
Em vários casebres...

Em todos os cantos!!!

Conto minhas tristes canções
Sinto um aperto no meu coração
E nunca um aperto de mão!!!
- Sabem quem sou?!
- Sou um “Morador de Rua”
No meio da multidão,
Em eterna e inseparável solidão.
Muitas vezes sem um pedaço de pão!!!



Tens

Tens um cheiro agreste e excitante,
Que entonteia, embriaga e deslumbra
O meu fogo de mulher no cio...
Em silêncio observo o seu passar maneiro
E olho com olhos bem gordos o seu traseiro
E me sinto nua com você
Sob o meu corpo inteiro!
Pena que nada disso é a Realidade ainda...
“Mas quem sabe amanhã, talvez, quem sabe?!”


Noite Vazia

Trio, ânsia, distância...
Vazio!
Lua, mar, poeira...
Perfume!
Cheiro seu cheiroAngústias retidas...
Você!
Na noite há tristeza
Pensando... Por quê???
Vai e volta,
Na volta e meia
Pra quê???
Noite vazia.
Sem mais E sem porquê...
Saudade só de você!!!


Amor sem consolo

Um novo amor
Nascerá e renascerá...
Júbilos primorosos
Lírios d’alma pura
Foram de pobres lágrimas
Pingos de ternura.
Sua amiga que sente
A tristeza atrevida
Implora ao teu ego
Para viver a vida...
Em um leito
Foi feito um feto
Em fetos,
Morreu a vida!


Meu medo

Tenho medo sim,
Tenho medo de magoar você,
De fazer você sofrer, fazer você chorar,
De não mais sentir o calor
Dos seus beijos, de não mais
Sentir o seu amor!
Tenho medo sim,
Que o brilho dos seus olhos se apagem
E se transforme em dor(tenho medo sim!).
Mas eu preciso acreditar em mim,
Ter coragem e esquecer
O medo, a tristeza, a dor...
Preciso sorrir e pausar em você,
Sem medo, ou então, quem sabe,
Esquecer o meu medo e pensarS
ó em nós dois!
Tudo isso porque eu ainda
Te amo muito, meu amor!



Deus

Procurei um amigo
E não encontrei!
Procurei paz
E não achei!
Procurei o chão
E não pisei!
Procurei um caminho
E no meio do caminho, fiquei!
Procurei uma rosa e só encontrei...
Espinhos... e me furei!
Procurei um jardim e vi
Um cemitério de vivos-mortos(gente e bichos!).
Procurei um Deus
E quando já ia desistindo...
Você, minha filha,
Nasceu em mim,
Nasceu para mim
E para mim está vivendo!
Eu te amo!


Ser amigo

Ser amigo é:
Estar presente em todos os momentos...
Na alegria ou na tristeza,
Na paz ou na agonia,
Na tranqüilidade ou no desespero,
No amor ou no ódio,
Na fartura ou na pobreza...
Ser amigo é:
Doar o ombro,
O coração,
A alma,
O espírito e
O infinito SER!!!



Silêncio Total

É silêncio...
Silêncio total!
Ouço as batidas
Do meu coração
Flui na minha mente
Idéias vazias
Vontades tardias
De me embriagar,
Da fragrância suave
Que envolve seu corpo
E trás na minha alma
Um doce prazer!
Vontades tão podres
De gestos tão nobres
Só para você!
O momento é chegado
O momento é esperado
O momento é passado,
Nada mais posso dizer:
- MORRI –


Minha Mãe

Amanhece o dia
União e paz
Raios de luz
Estrela guia
Luz natural
Imensa paz
Casais de pássaros
Esperança e vida!
Amar você
Livre, sem obstáculos.
Vagarosamente, lentamente, pausadamente...
Esperar o outro dia para,
Saudar cada manhã, cada amanhecer!
Você mãe, me transmite paz
Esperança e alegria
Raios de luz, sol da manhã
Gosto muito de você. Eu te amo!
Amo você com toda a intensidade do meu ser,
De minha alma, do meu prazer
Tantas vezes estivemos separados,
Agora é hora, chega de brincar de amar!
Te amo verdadeiramente!


Que Delícia de Homem

Que delícia de homem é esse
Que chega com essa boca carnuda,
Com essas mãos de luva,
Com esse corpo ardente,
Com esse sexo quente!!!
Que delícia de homem é esse
Que me fez carinhos
E com seus desalinhos
Me desarma toda!!!
Que me beija a boca,
Arranca minha touca,
Me vira pelo avesso
Com esse seu jeito
Todo especial de me amar.
Que delícia de homem é esse
Que chega de mansinho,
Me fazendo mil carinhos,
Me deixando toda orgasmada,
Com esse seu jeito todo especial
De me tocar, de me afagar,
De me acarinhar, de me querer bem,
De me fazer MULHER!
Que delícia de homem é esse
Que ri, que chora, que toca,
Que anda, que fala, que cala...
E quando se calaJá disse tudo, mesmo antes de chegar!!!
Que delícia de homem que é VOCÊ!!


Vanise Vergasta - Apresentar um poeta ao público leitor não é uma tarefa fácil. Poesia está fora de moda, como sensibilidade, amor ao próximo, solidariedade (despretensiosa), carinho, respeito, direitos humanos, dignidade, perseverança...

Conheci a poetisa Vanise através do amigo Lázaro Ramos. Vanise é uma pessoa daquelas que você passa na rua e percebe pela beleza, pelo sorriso, pelo carisma. Mas não se pode imaginar que por trás de uma pessoa tão forte, tão determinada, possa existir alguém tão romântica e sensível, a ponto de chorar ao ler uma história de alguém que ela acabou de conhecer. Pois é. Esta é a Vanise Vergasta que conheço! Uma pessoa que trabalha diuturnamente com emoções, que lapida emoções alheias, que garimpa palavras e que tem “de cor e salteado”, todas as suas mais de quatrocentas poesias. E olhe que ela se lembra das vígulas, dos pontos, das cedilhas, e também da data em que escreveu cada poema... Uma memória formidável. E uma MEMÓRIA dessa não pode e nem deve ser deixada de lado (como se faz com nosso patrimônio arquitetônico, artístico e cultural). Deve ser registrada, resgatada, publicada, antes que o tempo se encarregue de varrer para o passado distante.

Como eu falaria de Vanise? Falaria do livro “VI(vi) Vidas (no prelo)? Falaria da sagitariana de 05 de dezembro de 1961? Da Vanise que trabalha como voluntária no Projeto Criamundo do Hospital Juliano Moreira? O que eu falaria? De seus poemas, de sua memória extraordinária, de tudo o que já falei anteriormente, sem ser redundante e repetitivo? Eu declamaria aqui, LENDO (lógico, não tenho a memória que ela tem!) cada um dos seus poemas, e mesmo assim acredito que ainda faltaria muita coisa para ser dita. Pois esta poetisa de nascença (escreve desde os nove anos de idade) é um poço sem fundo de emoções, de talento e de inspiração, de onde surgem poesias como “Meu Casebre” (confira no livro) que fala do sonho da casa própria e de tantos outros que trazem à tona toda a beleza que somente uma mulher pode externar. Vanise é mãe, é filha, é BOAdastra (não gosto da palavra MAdrasta), é vizinha, é amiga, é voluntária de um projeto social, ela é Vanise Vergasta. A Bahia está sabendo, agora, que existe uma nova estrela no céu do nosso Estado e que essa estrela, medrosa de não conseguir ser vista, busca refúgio em seu mundo literário e artístico... Não se esconda Vanise, esta é a hora de você dizer pra que veio, nesse Brasil que teima em ser insensível a pedras preciosíssimas como você, que nem mesmo necessita de lapidação!